A caxiense Gysmunda Pezzi Letti nascida em 19 de janeiro de 1909, filha do comerciante Arcádio Pezzi e da enfermeira Isabel Pezzi, foi a primeira mulher a exercer um cargo de dirigente sindical no estado do Rio Grande do Sul e no Brasil. Ao lado de Elvira Itália Rossi Chiaradia, Gysmunda assinou, junto com 39 bancários, a fundação do Syndcato Caxiense dos Bancários, conforme a ata nº 03 de 29 de janeiro de 1936.
Antes de integrar o Sindicato, Gysmunda, ainda muito jovem, iniciou suas atividades profissionais na sede caxiense da Companhia Telefônica Riograndense e, em 1925, iniciou sua carreira como bancária na agência do Banco Francês e Italiano de Caxias do Sul, exercendo nesse estabelecimento diferentes cargos, evidenciando seu espírito de liderança e competência.
Em 27 de dezembro de 1937 foi eleita presidente do Sindicato Caxiense dos Bancários. Junto com ela foram também eleitos: Frederico Muller, João d'Avila, Juverlindo Tagliari, Oswaldo Velho, José Mário Fonseca, Natal Chiarello e, outra mulher, Edith Pelizzari na comissão executiva; e Vicente Petri da Fonseca, Helio Scalabrini e Remigio Rossato no conselho fiscal.
Permaneceu por pouco tempo na liderança da instituição, em 18 de agosto de 1938, Gysmunda e os demais integrantes da comissão executiva apresentavam sua demissão. A ata que registrou o fato não esclareceu os motivos que levaram a demissão de todos os integrantes da executiva e sua substituição por uma Junta Governativa.
O fato é que a eleição de Gysmunda para um cargo de liderança sindical causou espanto e surpresa da sociedade da época, tanto que um jornal local, em 1938, publicou a indignação com os avanços femininos e a liderança "lamentável", como opinou o cronista, de uma mulher a frente do Sindicato dos Bancários.
Em 1939, Gysmunda casou-se com Angelo Letti e estabeleceu-se na cidade de Antônio Prado, afastando-se das atividades bancárias. Faleceu em Antônio Pardo, em 28 de novembro de 1974.